por Revista Fórum

 

O programa Fórum 21 desta terça-feira (28) contou, além de Gabas, com a participação de Grazielle David, doutoranda em desenvolvimento econômico na Unicamp e assessora da Rede Latinoamericana de Justiça Fiscal.

Durante e entrevista, ambos debateram temas que vão desde a crise econômica, seus impactos no âmbito dos direitos humanos, passando pela reforma da Previdência até a reforma tributária que está sendo discutida no Congresso Nacional.

Confira a íntegra do vídeo aqui:

De acordo com o ex-ministro da Previdência Social, em entrevista, a reforma da Previdência do governo faz parte de um “pacotão” de medidas neoliberais para desmontar o sistema de proteção social brasileiro.

A campanha que o governo vem travando para ganhar apoio junto à sociedade na aprovação da reforma da Previdência é apocalíptica: ou aprova ou o Brasil quebra. Essa tese, no entanto, é refutada pelo ex-ministro da Previdência Social no governo de Dilma Rousseff, Carlos Gabas. Em entrevista ao programa Fórum 21, Gabas afirmou que não há relação entre a derrocada da economia brasileira com a aprovação da matéria pleiteada pelo governo através de seu ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Ele [Guedes] diz que aprovar a reforma vai mudar o humor do mercado. Que humor é esse? O que o que o mercado tem a ver com a expectativa, ou com o dinheiro na mão das pessoas? O governo precisa fazer a economia girar. Se tiver emprego, renda, salário, as pessoas vão comprar, as pessoas vão ter emprego e recolhimento de contribuições da Previdência. Você melhora a arrecadação, e você volta a um equilíbrio que tínhamos na Previdência até 2015. Tirar dinheiro da sociedade não vai resolver, vai agravar o problema”, disse.

Em sua sanha para aprovar a reforma, o governo Bolsonaro, através do próprio presidente e também de seus ministros, tem apelado para chantagens e ameaças. O capitão da reserva, por exemplo, já afirmou que não haverá 13º no Bolsa Família, uma de suas promessas de campanha, caso a reforma não obtenha êxito no Congresso. Já o ministro da Educação, Abraham Weintraub, condicionou o fim do congelamento dos recursos para universidades federais à aprovação do projeto.

“Isso é um argumento para entregar a Previdência pública para a iniciativa privada. O objetivo central do governo não é equilibrar a Previdência, é entregar para os bancos, para as financeiras, como aconteceu no Chile. Isso vai agravar a pobreza, a desigualdade social e a concentração de renda”, disse.

E prosseguiu.  “Essas ameaças são uma forma do governo de amedrontar a sociedade, em vários segmentos, prefeitos, governadores, estudantes. Hoje nós vimos o ministro da Saúde defender o fim da saúde gratuita. Isso é um pacotão de medidas neoliberais para desmontar o sistema de proteção social brasileiro. Isso é uma pauta burra. Se esses liberais tivessem o mínimo de inteligência, fariam com que a sociedade tivesse alguma garantia de bem-estar social. Todos os países minimamente civilizados trabalham com essa preocupação”, pontuou.

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